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Aprendendo com o marketing vitorioso da Microsoft

30/6/2008 por Max Carvalho 

A Microsoft foi altamente inovadora ao longo de sua história, mas essa inovação diz respeito à concepção do negócio, não à tecnologia. A Microsoft não inventou nenhuma de suas principais tecnologias. Adaptou criativamente a tecnologia existente às necessidades do mercado. O mais importante para a Microsoft é ter um excelente marketing do que ter uma excelente tecnologia. Vamos a um exemplo:

Quando visitou a Comdex de 1982, Gates ficou aterrorizado. A VisiCorp, na época a maior empresa de programas do mundo, demonstrou um produto chamado VisiOn - um produto com interface gráfica operada por mouse para o IBM PC, além de um pacote de aplicativos. Gates viu que o VisiOn tinha o potencial de tomar de assalto os mercados de aplicativos e sistemas operacinais em uma única tacada.

A Visicorp tinha não apenas um produto tecnologicamente sofisticado, como também prestígio e a capacidade de marketing de atrair um grande mercado.

Gates revidou com força total. Antes de mais nada, a Microsoft concentrou-se em conquistar a “fatia da mente” da VisiCorp. Em outubro de 1983, mesmo sem um produto, a Microsoft demonstrou um protótipo do Interface Manager - que chamou de Windows - que não passava de um programa gráfico que desenhava janelas representando arquivos e aplicações.

Na Comdex 1983, a Microsoft lançou uma campanha desenfreada destinada a conquistar corações e mentes dos clientes.Bandeiras no aeroporto de Las Vegas saudavam os participantes da conferência. Os taxis exibiam anúncios do Windows. Nos guardanapos do coquetel do evento lia-se “Look Through the Microsoft Windows”, e oferecia descontos nos restaurantes locais.

Quando começou a chegar ao mercado, logo após a Comdex, o VisiOn não conseguiu fugir do espectro do Windows. O produto não saiu das prateleiras. O Windows tornou-se o produto mais esperado (poucos imaginavam como seria longa essa espera). A revista Fortune previu que o Windows definiria um padrão - sem ter visto uma única cópia do produto.

O principal ponto fraco do VisiOn não estava relacionado à tecnologia, mas à concepção do negócio. O produto supria a necessidade de interface intuitiva dos clientes, mas não se adaptou a prioridades importantes, como baixos custos de adoção, preço, conveniência e seleção de software. Gates entendeu essas prioridades e prometeu uma solução. Embora não a tivesse, a promessa em si era mais do que o VisiOn oferecia ao clientes; eles esperariam pelo Windows.

A VisiCorp - lutando com um produto fantasma (Windows) - amargou um prejuízo de US$ 2,5 milhões e foi comprada pela Lotus, meses antes do lançamento do Windows.

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